segunda-feira, 16 de março de 2015

um olhar sobre o vazio

O desespero pergunta:
 "Quem eah vc? Pq me ronda? Que dor eah essa? Não sei se suporto isso."

Gaguejando e falando baixo, timidamente o outro responde: 
"S-so-u o vazio."

Eu, a observadora, vejo com atenção toda a cena.

Pela 1a vez deixo o vazio se manifestar, o percebo, olho para ele com coragem, o reconheço, o sinto, o aceito e, dessa forma, o entendo.
Uma onda de amor toma conta de mim nesse instante, o pego em meus braços, o abraço gostoso, o miro profundamente e sem conseguir conter meu sentimento, falo:

"Querido, sinto muito, perdão por todos esses anos ter te deixado de lado, deixei o desespero tomar conta de ti e ele tratava de te fazer sumir, tentando te sufocar te preenchendo de coisas, mas ele nunca conseguiu, e agora agradeço por isso. Te fitando de perto percebo como és lindo e leve. Fluido. Vazio.
Agora eu e a amorosidade cuidaremos de ti.
Sinto mto, meu pequeno e belo vazio, foram anos de displicência, mas hoje te vejo e não quero mais q vá embora ou q sejas preenchido. Te quero assim, presente na ausência, e o cuidarei com todo amor, carinho e aceitação q mereces tanto. Percebo a tua importância para meu equilíbrio. Te amo e sou grata."

O vazio suspira levemente e se aconchega gostoso em meu peito.

Agora ele pode, enfim, relaxar.

_Lakka Fagundes

sexta-feira, 25 de abril de 2014

velada

e fumando escondo meus suspiros

vontade

 - me ache!
nao me esconderei.

 - não se esconda
pois eu quero tbm...

Lakka&Le

sensações

e essa noite tu vais me tocar como se eu fosse um violino gritando a moda barroca

quinta-feira, 18 de julho de 2013

pergaminho

vamos cantar o amor primitivo


amor a espera da flor

botão antigo

semeador



vamos cantar o primeiro ar

o pneuma ápeiron

vamos cantar o voo

das aves mágicas



vamos voltar à terra

milágrimas da geração

cantár a forma altiva

da espiga em formação



cantar ao carro de fogo

o lume da vida

ao velho esquecido

o afago do novo



vamos cantar à água

a sede da liras

cantar os barcos

e zarpar...

lê

o tal do poeta...

Lakka:

- sério, seja mais concret@!

Desconhecid@wisk:

-cimento de sentimento,

cal de compreensão,

água de vida,

e levantamos uma parede firme

e duradoura.



Lakka:

- *-*



Como ficar braba assim?!?!

encontro de almas

O discípulo pergunta:

– Mestre, o que é um encontro de almas?

– É quando você, ao conhecer alguém, diz: muito prazer; enquanto sua alma sussurra: Que saudade!

♦Miryan Lucy♦

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Seneca sabia das coisas

Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas.



Que bonito e verdadeiro!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

sobre o presente

Quero estar sempre contigo no hoje,
porque
sempre no hoje quero estar contigo.



LakkaLe

noite na floresta encantada

Os olhos amendoados
da corujinha curiosa,
em meio aos duendes
da encantada floresta,
misticamente,
penetram-me-envolvem
para dentro
da descoberta
da aventura que é você.

Lakka e Lê

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

sem título do Akássius


apanho no céu o meu

túmulo

não nasci póstumo

nasci plúmelo

creci

na doçura da morte

pelo sal

que é sentido na vida


_Leandro Akássius_

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Dueto

te amo quando borboleta

te amo enquanto letra

quando preparada pro mundo

e preparado pro mundo

te amo enquanto asas

no coletivo das palavras

em um belo panapaná.



Lakka e Lê


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

sobre suspiros


um espaço no ar
é tempo do pensamento poder respirar

o coração bater com folga
levitar...


Lakka F. com Leandro Acacio

sonhos que dizem tudo


Tenha confiança nos pés e ande.
Você me falou esta noite.

sobre o desejo


intensidade
intenção
tensão
tesão
ter-se-ão.


Lakka F.

Dizem por aí que...


O segredo do universo está dentro de um buraco do poço mais fundo. 
Lá tem um monstro que guarda esse segredo à milhares de anos. 
Se uma pessoa conseguir chegar até o buraco do poço mais fundo, e for digna, o monstro a deixará ler a ordem.
E se ela concentrar o olhar dentro do buraco do poço mais fundo encontrará a seguinte e mais procurada mensagem secreta:
"Foi só de brincadeirinha."

Lakka F. assistindo As terríveis aventuras de Billy e Mandy

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Transitoriedade

um sopro
    de silêncio
na alma
    do desavisado
 
Lakka F.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Em terapia


Hoje saí do metro, caminhei umas cinco quadras. Ruas pavimentadas, cheias de transeuntes apressados. Um céu azul entre as nuvens levemente acinzentadas. Muitos comércios, inclusive três igrejas, uma que ensina técnicas de meditações e tem palestras motivacionais, Igreja-de-não-sei-o-que-da-Ciência. Achei engraçado. E nisso tudo pude sentir uma espécie de beleza no ar. Sei-lá, uma beleza do sujo, feio, caótico. Logo virei a esquerda e entrei por uma porta de chocalhos perfumados. Subi a escada, fui até o banheiro, lavei as mãos, fui na sala de estar, enchi duas vezes um copo d'água. O dia estava quente. Sentei-me ao lado de um gato que não fez questao de me perceber ali. Logo fui chamada para um corredor, entrei numa outra porta a esquerda e quem estava lá me esperando? Sentada em uma poltrona verde, lá estava eu. Olhei eu dos pés a cabeça... Eu estava sentada confortavelmente, naverdade  estava estirada na cadeira, mole, esbaforida, e com um sorriso maroto e cúmplice no rosto. Me olhei bem fundo nos olhos, respirei fundo e caí de joelhos aos prantos. Eu me olhou e disse: já estava em tempo de me encontrar! Tentei me levantar, mas não havia mais forças. Toda altivez se foi naquele profundo encontro de olhares. A dureza da vida se fez evidente e percebi como vivi miseravelmente esses, talvez, vinte e cinco anos. Vinte e cinco anos mascarando dores, sofrimentos, e humilhações sem precedentes, sem razões para se terem feito presentes. Vinte e cinco anos tentando esconder a porcaria de família que tinha, e a merda de vida que levava. Eu se levantou, veio até mim, colocou a mão direita em meu ombro e disse: Veja, sinta! Essa foi tua vida até agora. Perceba-a! Encare ela e a aceite. Não foi legal o que fizeram contigo, nem o que te disseram. Podres mentiras transferidas. Aconteceu e não há o que fazer, a não ser sentir. E o que foi, foi... Nada será mudado. Sofra! Dói. Chora! Surta! Ponha para fora toda essa raiva e frustração. Com meus olhos marejados, com uma expressão totalmente fragilizada, corpo caído, eu continuava com seu olhar cúmplice e voz macia dizendo: Grita! Urra! E sinta... Sim. Chega de fugir do que incomoda, do que não quer que seja real. Isso foi real, aconteceu, sinta. Olhei para eu sem forças, precisava descansar. Nisso desmaiei e entrei em devaneio... E não sei mais quem sou. Sou eu ou eu, ou nós?
_Lakka F.

terça-feira, 24 de julho de 2012

sobre o desprazer

Desconfio que o controle remoto seja o causador do tédio que se instaura em mim a cada nova atividade que inicio. Porque qual melhor explicação posso achar para sempre querer mudar de canal qdo a atividade deixa de ser nova? 
Uma capacidade absurda de me entediar com o impulso do movimento...

sexta-feira, 6 de julho de 2012

sobre os sonhos

tão ruim acordar de um sonho bom.
eis aí uma morte.
eterna!